Sou nômade. E, de vez em quando, volto para casa

Sagres, Portugal, 2018

Falo por mim. Minha verdade não precisa ser a sua. Mas, acho, muitos me entenderão.

Nasci para percorrer o mundo. Cada dia em um lugar. E, no dia seguinte, uma escolha: norte, sul, leste ou oeste.

Fiz uma incrível trilha sobre as falésias. Da praia do Amado até a praia da Bordeira. É um caminho fácil, com poucas subidas e descidas. Mas tem um visual estonteante! Em Bordeira as falésias são substituídas pelas dunas. E, mais adiante, após as dunas, uma nova série de falésias. E elas fazem seu caminho, serpenteando para o norte. Até sumirem da minha vista.

Sentei-me numa pedra. Era hora do meu sanduíche de salame e queijo. Mas nem senti o sabor. Queria continuar a caminhada. Pensei em seguir o caminho das falésias. Imaginei o que encontraria pela frente. Rios, dunas, florestas, montanhas, cidades, pântanos? Mais falésias? Meu principal combustível é a curiosidade. Para a ação e para a imaginação.

Continuei minha viagem imaginária.

Depois de alguns dias caminhando, avistaria Lisboa. E, tendo energia para chegar a Lisboa, não me custaria muito seguir até o Porto. Descansaria uns 2 dias e continuaria rumo ao norte. Atravessaria a fronteira com a Espanha. Trocaria a rota litorânea pela do interior. Faria o Caminho de Santiago ao contrário.

Atravessaria os Pirineus. Passaria por Aix-en-Provence. Seguiria até os Alpes. Passaria algumas semanas fazendo trekking por lá. Após me esbaldar das montanhas, voltaria ao litoral. De Bruges a Copenhagen. Tomaria um ferry até Bergen. Seguiria da Lapônia até São Petersburgo. Se estivesse muito cansado, repousaria em Cracóvia. Senão, daria um pulinho até a Mongólia. E, claro, teria algumas semanas na China para explorar seus mistérios. Será que há falésias na China?

Ops… Voltei ao meu sanduíche inacabado e sem sabor.

Confesso. Essa é a minha verdade.

Sou nômade. E, de vez em quando, volto para casa.