Sinto, logo fotografo

Luang Prabang, Laos, 2012.

Penso, logo existo.

Existo, logo sinto.

Sinto, logo fotografo.

Uma fotografia não precisa de explicação. Nosso desafio não é dizer se uma foto é certa ou errada. Podemos até dizer que gostamos dela. Ou que não gostamos. Ou que a faríamos diferente. Ou que não a faríamos. O verdadeiro desafio é entender o que o autor da imagem sentia no momento do clique. Revelar suas motivações. Descobrir suas influências.

Somos influenciados por pessoas, coisas, lugares, acontecimentos. Ao longo dos anos estas influências são armazenadas, de alguma forma, em cada um de nós. Com o tempo desenvolvemos filtros que estimulam ou atenuam a assimilação de determinadas influências. Feliz é a pessoa que se permite diversidade de influências. Alguns usariam a palavra bagagem para denominar o conjunto de influências incorporadas por cada um de nós. Essa bagagem está presente quando tomamos decisões. Conscientes ou intuitivas. Inclusive no momento do clique fotográfico.

Luang Prabang, no Laos, é uma cidade que nos envolve por sua autenticidade. Exibe tradições intactas por estar menos exposta à influência ocidental do que seus vizinhos asiáticos. Escolas de pequenos monges budistas. Austeras. Jovens que tocam seus tambores ao por do sol. Contagiantes. Pontes de bambu que são reconstruídas a cada enchente do rio. Emocionantes.

A íngreme subida do monte Phu Si, pelo caminho principal, nos leva a uma antiga estupa e vistas majestosas. A descida mais interessante é por uma pequena trilha que nos leva ao longo de inúmeras estátuas e santuários. E através de um pequeno vilarejo sem marcas de modernidade. Ops! Flagramos um monge sorrateiramente usando o aparelho celular. Como aconteceu em outros lugares, infelizmente, nossa influência é implacável.

Em um dos santuários deste caminho encontramos a imagem que nos encantou. Dois monges em sua serena existência com as montanhas ao fundo. Não queríamos que nossas câmeras interferissem na tranquilidade da cena. Sem troca de palavras, a Teca e eu regulamos nossas câmeras, registramos a cena de forma discreta e continuamos a descida. Momentos depois comparamos nossas imagens. Completamente diferentes! Provavelmente nossas influências individuais agiram de forma subliminar. Ou, visto de outra forma, mesmo com a influência constante um do outro, sentimos a oportunidade da foto de forma exclusiva. E, para a felicidade do casal, de forma complementar.

Sinto, logo fotografo.

 

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