Estratégia do atobá de pata azul (ou melhor, Fotos que eu não fiz)

Galápagos, Equador, 2005.

Esse texto começou de um jeito e terminou de outro.

A ideia original era falar sobre criatividade. Foi inspirada por minha viagem a Galápagos, no Equador, há mais de 10 anos. Pensei em fazer uma analogia entre a teoria da evolução de Darwin, lá inspirada, e o processo criativo na fotografia. Escolhi o atobá de pata azul como símbolo deste texto. Pata azul, um exemplo de criatividade da mãe-natureza.

Escrevi 50% do texto. Até criei um Roadmap do Fotógrafo. Porém fui traído por minha memória. Tinha certeza de que havia tirado lindas fotos do atobazinho de pata azul. Durante a viagem fui até apelidado de National Geographic por um grupo de colombianos. Impressionados com minhas câmeras e lentes. Que ilusão! Quase caí de costas quando revi as fotos. Enquadramento ruim. Imagens sem contexto. Composição pobre. Servem somente como um alerta das fotos que eu poderia ter feito. E não fiz.

Na época a fotografia era um hobbie. Que eu começava a levar a sério. Havia investido em equipamentos. Havia realizado cursos. Vivia uma fase na qual estava concentrado em evoluir a técnica. Foco. Velocidade. Abertura. ISO. Profundidade de campo. Infelizmente minha criatividade foi abatida pela técnica. Sobrou uma coleção de figurinhas de animais exóticos.

Galápagos fica longe, no Pacífico. É única e exuberante por sua fauna. Mas não justifica meu retorno. O atobá de pata azul não posará novamente para minhas lentes. Foi uma oportunidade desperdiçada. Perdi também o gancho para o meu texto original, embora a essência da estratégia do atobá de pata azul ainda possa ser aproveitada.

Lição aprendida: o fotógrafo tem que estar sempre preparado. A oportunidade pode ser única. Vale para a fotografia. Vale para a vida.

A lição do atobá de pata azul.

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