Desafio que me encanta

São Paulo, Brasil, 2016.

Um dia fiz minha primeira viagem. Fui para a praia. Com meus pais. Peguei caxumba. Brinquei com conchinhas. Não me recordo de muita coisa.

Um dia viajei e fiz minha primeira foto. Foi da praia, num dia nublado. Essa foto sumiu. Deve estar em algum lugar do armário. Lembrança preciosa, preciso encontra-la. Aos poucos fui percebendo que a fotografia me ajuda a lembrar das coisas.

O mundo era diferente. Tinha que rebobinar o filme e mandar revelar. Tocava The Clash na 89 FM.  O Palmeiras era campeão. Não havia internet. Não tinha foto digital. Não existia backup na nuvem.

Minha vida era trabalhar, juntar um dinheirinho, esperar as férias e viajar. E fotografar. Fazia álbum da viagem. Colocava pôster na parede do quarto.

Um dia pedi demissão. Decidi ir ao Nordeste. Dirigia minha Fiorino verde e cantava “Só sei que o Araketu é bom demais Êo êo êa-êa-ô êa-êa-ô”. Levei meus álbuns, dizia que era fotógrafo, tentava impressionar. Mentia e não ficava vermelho.

Viajar e fotografar continuam sendo minhas paixões. Com o tempo a fotografia se tornou minha profissão. 

A partir de hoje quero escrever sobre fotografia e viagem. É um desafio assustador. Há tempos não me dedico a escrever. Não sei se minha gramática está atualizada. Gasto muito tempo para escrever poucas linhas. Sou um autor a procura de um estilo. Seria mais fácil contar experiências por meio de imagens.

Mas é o desafio que me encanta.

PS: este texto foi escrito antes do título brasileiro do Palmeiras em 2016.

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