Colecionador de olhares

Bali, Indonésia, 2007.

Seus olhos brilham. Alguém me disse. Procurei um espelho, olhei fixamente e… não vi nada diferente. Somente o reflexo da janela sobre minha pupila. Era o meu velho olhar de sempre.

Seus olhos brilham. Disse para alguém. Será que era o mesmo brilho que eu havia procurado no espelho? Não tinha como saber. Pelo menos havia descoberto que olhos brilham. De verdade. Basta olhar e sentir.

Felicidade, os olhos brilham.

Ansiedade, os olhos brilham.

Chorando, os olhos brilham.

Dançando, os olhos brilham.

Amando, os olhos brilham.

Basta olhar e sentir. Como impressão digital, cada um, e cada situação, tem o seu brilho.

Fui para a rua. Olhei fundo nos olhos de pessoas que não conhecia. Abandonei pré-julgamentos. Descobri vidas e sentimentos. Fotografei.

Deixei de ser eu mesmo. Permiti ser influenciado. Mudei. Hoje sei o que sou.

Colecionador de olhares.

PS: um dia me perguntaram o que é foto espontânea. Não sei se consigo explicar de forma precisa, matemática. Posso, talvez, fazer uma analogia com um álbum de figurinhas. No qual nunca aparecem figurinhas repetidas.

Deixe uma resposta